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Junho
2010

BIOINFORMA

26/06 - DIA INTERNACIONAL DE COMBATE ÀS DROGAS

O alcoolismo é uma doença crônica caracterizada pelo consumo compulsivo de álcool, onde o usuário se torna progressivamente tolerante à intoxicação produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstinência, quando a bebida é retirada. Há evidencias claras que, além do ambiente, fatores genéticos também aumentam o risco de contrair a doença. Estudos mostram que adolescentes abstêmios, filhos de pais alcoólatras têm mais resistência aos efeitos do álcool do que jovens da mesma idade, cujos pais não abusam da substância. Muitos desses filhos de alcoolistas se recusam a beber para não seguir o exemplo de casa. Quando acompanhados por vários anos, porém, esses adolescentes apresentam maior probabilidade de abandonar a abstinência e tornarem-se dependentes.

Sintomas do Alcoolismo
A décima versão da Classificação Internacional das Doenças (CID-10) estabeleceu critérios para a caracterização da dependência. Para que se caracterize dependência pelo menos três critérios abaixo devem estar presentes em qualquer momento durante o ano anterior:
1. Desejo intenso ou compulsão para ingerir bebidas alcoólicas;
2. Tolerância e necessidade de doses crescentes de álcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores;
3. Abstinência típica e de duração limitada que ocorre quando o uso do álcool é interrompido ou reduzido drasticamente;
4. Aumento do tempo empregado em conseguir, consumir ou recuperar-se dos efeitos da substância; abandono progressivo de outros prazeres ou interesses devido ao consumo;
5. Desejo de reduzir ou controlar o consumo do álcool com repetidos insucessos;
6. Persistência no consumo de álcool mesmo em situações em que o consumo é contra-indicado ou apesar de provas evidentes de prejuízos, tais como, lesões hepáticas causadas pelo consumo excessivo de álcool, humor deprimido ou perturbação das funções cognitivas relacionada ao consumo do álcool.

Fases Evolutivas da Doença
Adaptação - ocorre logo após o primeiro contato com a substância. Nesta fase, o álcool serve de muleta já que facilita o contato social. O indivíduo sente-se bem quando ingere álcool. Nesse estágio, a substância alivia a ansiedade, a angústia diante das dificuldades naturais da vida.
Tolerância - período em que a maioria desenvolve um mecanismo de tolerância ao álcool e há uma adaptação do sistema nervoso central (SNC) para maiores quantidades da droga. A pessoa bebe numa noite e acredita que suporta bem a substância. Mas é nessa fase que aparecem os apagamentos, ou seja, a pessoa age alcoolizada e no dia seguinte, não lembra de absolutamente nada do que fez.

Síndrome de Abstinência - estágio da doença onde a dependência física está instalada. A deterioração física, mental e social é evidente. Sérias complicações de saúde marcam essa terceira fase, como cirroses, neurites, psicoses, pancreatites, hemorragias de esôfago e estômago, tumores malignos.

Tratamento
Como em qualquer outro caso de dependência química não existe cura para o alcoolismo. O que existe é tratamento. Na maioria dos casos o próprio paciente não consegue perceber o quanto está envolvido com a bebida, chegando a negar o uso ou mesmo a sua dependência pelo álcool. Nestes casos, pode-se começar o tratamento ajudando o paciente a reconhecer o seu problema e a necessidade de tratar-se e de tentar abster-se do álcool. A indicação de internação, pelo menos como fase inicial de desintoxicação, costuma ser a regra. Existem muitas evidências de que os tratamentos comportamentais cognitivos que objetivam a melhora do autocontrole e das habilidades sociais levam consistentemente à redução do alcoolismo. Entre as formas de tratamento mais indicadas, estão os programas baseados nos 12 PASSOS DOS ALCOÓLICOS ANÔNIMOS*, fundamentados na aceitação da doença, enfrentamento e prevenção e a recaída. Estudos também indicam que o apoio da família no processo de tratamento do alcoolista contribui com a melhora dos resultados.

Desintoxicação
Geralmente realizada por alguns dias sob supervisão médica, permite combater os efeitos agudos da retirada do álcool. Dados os altíssimos índices de recaídas, no entanto, o alcoolismo não é doença a ser tratada exclusivamente no âmbito da medicina convencional.

Reabilitação
Depois de controlados os sintomas agudos da crise de abstinência, seja por meio de internação ou através de tratamento ambulatorial, os pacientes devem ser encaminhados para programas de reabilitação, cujo objetivo é ajudá-los a viver sem álcool na circulação sangüínea, como os grupos de auto-ajuda (AA). É preciso lembrar que as recaídas são comuns nos pacientes alcoolistas.

*http://www.alcoolicosanonimos.org.br/index.php

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